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II Congresso de Saúde Humanitária: CONEMO é apresentado como exemplo de intervenção em contextos de vulnerabilidade

II Congresso de Saúde Humanitária: CONEMO é apresentado como exemplo de intervenção em contextos de vulnerabilidade 1200 800 INPD Cism

A psicóloga e assistente de pesquisa do CONEMO, Beatriz Atti, ministrou aula abordando as evidências e o processo de implementação do projeto na Atenção Primária

O “II Congresso de Saúde Humanitária”, iniciativa vinculada ao projeto de extensão “Bandeira Científica” da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), contou com um curso sobre saúde mental em contextos de vulnerabilidade. A psicóloga Beatriz Atti compôs a discussão científica da mesa apresentando o projeto CONEMO como exemplo acessível e escalável de intervenção de saúde mental na Atenção Primária.  

O evento, realizado nos dias 8 e 9 de maio na FMUSP, ofereceu três períodos de uma programação plural constituída por palestras, cursos, workshops e mesa-redonda. Na aula, a pesquisadora assistente do CONEMO abordou desde as evidências até o processo de implementação do projeto, que acontece gradualmente nas cidades de Indaiatuba e Jaguariúna, no interior de São Paulo. Baseado em um aplicativo de celular com técnicas de terapia, a intervenção auxilia no tratamento da ansiedade e depressão – saiba mais

O congresso visa fortalecer o diálogo entre pesquisa acadêmica e inovação em saúde, além de ampliar as oportunidades de troca entre pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em soluções inovadoras. Foi neste contexto que a psicóloga foi convidada a compartilhar a experiência do CONEMO, apresentando-o como iniciativa de ciência da implementação e exemplo de intervenção digital em saúde mental com foco no acesso ao cuidado e estratégias escaláveis para ampliação do tratamento em populações vulneráveis.

Beatriz conta que o convite foi uma oportunidade importante para o compartilhamento dessas experiências e discussão da promoção da saúde mental em contextos de vulnerabilidade, pauta que a equipe do projeto considera fundamental. “Nesse cenário, iniciativas como o CONEMO demonstram o potencial das intervenções digitais para ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental, especialmente para populações que historicamente enfrentam maiores barreiras de acesso aos serviços”, explica a assistente de pesquisa. 

Segundo a psicóloga, o evento proporcionou um espaço valioso para o debate da ciência da implementação, “área de estudo essencial para aproximar a produção científica da prática e garantir que evidências geradas pelas pesquisas acadêmicas possam efetivamente beneficiar a sociedade”. Beatriz ressalta que o debate atraiu a atenção dos participantes, que se mostraram interessados e engajados pelas discussões apresentadas na mesa.  

“Destaco a importância de ampliar os debates sobre estratégias capazes de expandir o acesso à saúde em diferentes contextos de vulnerabilidade social”, enfatiza a psicóloga. “Espaços como esse fortalecem o diálogo entre ciência, políticas públicas e prática profissional, contribuindo para o desenvolvimento de soluções mais acessíveis, equitativas e alinhadas às necessidades da população”, acrescenta.

A psicóloga ministrou aula no curso sobre saúde mental em contextos de vulnerabilidade (Foto: Divulgação)

O congresso  

Além de temas relacionados às práticas de saúde humanitária com populações em vulnerabilidade, o  “II Congresso de Saúde Humanitária” ainda abordou discussões ligadas à saúde global, respostas a catástrofes e a inclusão nos serviços de saúde pública. 

A iniciativa é vinculada ao “Bandeira Científica”, entidade de extensão da FMUSP, fundada em 1957, que promove expedições humanitárias de saúde. Ao longo de sua trajetória, a instituição realizou mais de 86 mil atendimentos, impactando diretamente populações vulneráveis em diversas regiões do Brasil. Com o objetivo de consolidar um conceito ampliado de saúde humanitária, surgiu o congresso, a fim de promover o intercâmbio científico e prático entre especialistas, acadêmicos, organizações sociais e órgãos públicos, incentivando a criação de políticas públicas de saúde baseadas em evidências para contextos vulneráveis.

O CONEMO

Telas das jornadas oferecidas pelo aplicativo CONEMO (Foto: Reprodução)

O projeto CONEMO é uma intervenção de saúde mental baseada em um aplicativo que utiliza técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) com o objetivo de melhorar sintomas de ansiedade e depressão. O projeto está em fase de implementação em seis Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Jaguariúna e de Indaiatuba, no interior de São Paulo. 

A intervenção digital oferece jornadas de sessões e vídeos voltados à redução desses dois sintomas e sugere atividades prazerosas, dicas e estratégias para melhorar a saúde mental dos usuários. O CONEMO é conduzido por psicólogos, psiquiatras e pesquisadores com experiência em estudos científicos e intervenções em saúde mental do mesmo tipo. 

O projeto é gerenciado pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), em parceria com as secretarias de saúde das duas cidades, o Centro Universitário Max Planck (UniMAX) e o Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ). A expectativa é que, em breve, o serviço seja expandido a todas as UBSs de ambos os municípios.

17 de junho 2026

Institucional CISM