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MoBILab: Membros do CISM recebem treinamento para operar plataforma inédita no Brasil voltada a pesquisas sobre neurodesenvolvimento

MoBILab: Membros do CISM recebem treinamento para operar plataforma inédita no Brasil voltada a pesquisas sobre neurodesenvolvimento 1280 964 INPD Cism

O treinamento aconteceu no Child Mind Institute (CMI), nos Estados Unidos; o supercomputador integra medidas encefalográficas, rastreamento ocular e sinais fisiológicos em um único ambiente, possibilitando o avanço dos estudos

A ciência brasileira acaba de dar um salto importante no que diz respeito a pesquisas sobre o funcionamento do cérebro e fatores associados à saúde mental. Integrantes do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) concluíram um treinamento para a operação da plataforma MoBILab, um supercomputador capaz de integrar, de forma sincronizada, medidas comportamentais, fisiológicas, cognitivas e neurobiológicas em um único ambiente. O equipamento será trazido ao país em breve. 

O treinamento foi realizado por Aline Camargo Ramos, gestora científica e bolsista do programa de formação de gestores de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), e por André Simioni, data manager. O curso foi oferecido pela equipe do Child Mind Institute (CMI), órgão parceiro do CISM e desenvolvedor da plataforma de coleta multimodal. A formação aconteceu entre 25 e 29 de maio, no CMI, em Nova York, nos Estados Unidos. 

O Multimodal Brain/Body Imaging Laboratory, conhecido como MoBILab, é uma plataforma que permite a coleta de dados de eletroencefalograma, rastreamento ocular, sinais fisiológicos periféricos, movimento corporal e tarefas cognitivas, incorporando estratégias de fenotipagem em ambiente natural por actigrafia e avaliação ecológica momentânea. Isso significa a coleta de informações sobre o comportamento, estado emocional e o funcionamento dos usuários durante o dia a dia, por meio de dispositivos vestíveis (como relógios ou pulseiras) que registram continuamente movimentos corporais.

A ferramenta permite rastrear, por exemplo, respiração, movimento, análise de fala, reconhecimento de emoções faciais e aspectos motores e cognitivos. A plataforma será trazida ao Brasil de forma pioneira pelo CISM e CMI, sendo o país o primeiro, e um dos únicos, ao lado da África do Sul, fora do eixo de nações de alta renda, a receber essa tecnologia de forma estruturada. A implementação está prevista para os próximos meses no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), na capital paulista. 

Além de fortalecer as colaborações internacionais já estabelecidas com o Child Mind Institute, a implementação do MoBI representa um avanço estratégico para a ciência brasileira, posicionando o país na fronteira das pesquisas em neurodesenvolvimento e saúde mental. Estamos muito entusiasmados com o potencial dessa tecnologia para gerar conhecimento inovador, formar recursos humanos altamente qualificados e contribuir para o desenvolvimento de intervenções cada vez mais precisas e baseadas em evidências”, celebra Aline. 

No CISM, o supercomputador ampliará significativamente a capacidade de investigação da Brazilian High Risk Cohort (BHRC)Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais -, e de outros projetos. A BHRC acompanha, há mais de 15 anos, 2.500 adolescentes em um estudo sobre as origens genéticas e ambientais dos transtornos mentais. O projeto é um dos mais importantes do mundo sobre a formação do cérebro. 

“A integração de medidas neurofisiológicas, rastreamento ocular e sinais fisiológicos em um ambiente multimodal abrirá novas possibilidades para compreender o desenvolvimento cerebral e os fatores associados à saúde mental ao longo da vida”, explica Aline. “Fazer parte da equipe que irá implementar o MoBI no país é uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, um privilégio”, acrescenta a jovem pesquisadora.

Simioni e Aline estão aptos a operar o supercomputador e a replicar o treinamento com outros pesquisadores brasileiros (Foto: Arquivo pessoal)

Simioni explica que o diferencial estratégico da implementação do MoBILab na BHRC é a criação de uma ponte intergeracional inédita na ciência brasileira. A atual base de dados já consolida mais de uma década de um histórico fenotípico e clínico profundo dos participantes do estudo, agora a aplicação desta tecnologia multimodal aos filhos deles, segundo detalha, possibilitará a captura de dados neurofisiológicos objetivos em tempo real. 

“Esta integração nos permite cruzar as trajetórias de vida e os diagnósticos dos pais com as assinaturas biológicas – eletroencefalograma, rastreio ocular e biossinais – dos seus descendentes. Deixamos de depender apenas de autorrelatos ou relato parental para observar diretamente como o risco e a resiliência se manifestam fisiologicamente”, explica Simioni. “Esperamos transformar esses dados complexos em conhecimentos que possam antecipar diagnósticos e personalizar intervenções precoces para as próximas gerações”. 

Atualmente, os pesquisadores da BHRC vêm acompanhando três gerações: os participantes ou “probandos” (chamada G2), seus pais (G1) e, agora, seus filhos (G3). O MoBILab permitirá o avanço das avaliações entre os indivíduos da G2 e G3.

O treinamento 

Ao longo de uma semana, Aline e Simioni visitaram o Child Mind Institute e participaram do programa estruturado de treinamento profissional que abrangeu todo o conjunto de equipamentos utilizados no protocolo padronizado do MoBI Lab. O curso foi conduzido por Nicole Burke, engenheira de software científico, e por Apurva Gokhe, analista de dados. Ambos ainda tiveram conversas de alinhamentos com Nathalia Esper, especialista em engenharia de software científico, e John Vito, gerente de projetos do CMI.

Durante o treinamento, os integrantes do CISM ainda se reuniram com Giovanni Salum, vice-presidente sênior de programas globais do CMI e pesquisador do CISM.

A formação incluiu aprendizagem para: 

  • Configuração, calibração e registro de sistemas de eletroencefalograma (EEG);
  • Operação e integração de equipamentos de rastreamento ocular (eye tracking);
  • Instalação de sensores fisiológicos e aquisição de dados;
  • Integração completa de sistemas multimodais e coleta sincronizada de dados;
  • Procedimentos de garantia de qualidade para dados de neuroimagem multimodal.

O curso habilitou os pesquisadores para a condução de coleta sincronizada de dados multimodais, de acordo com os protocolos compartilhados. Aline e Simioni replicarão o aprendizado com os pesquisadores que atuam no Brasil para o uso da ferramenta em pesquisas nacionais. A plataforma fará parte de um recém-lançado núcleo do CISM, voltado ao avanço da saúde mental de crianças, adolescentes e jovens adultos – saiba mais

“Essa plataforma reforça o compromisso do CISM com inovação metodológica e alinhamento a padrões internacionais de pesquisa em neurociência do desenvolvimento. Esse movimento amplia significativamente a capacidade científica nacional em neurociência multimodal e posiciona o CISM em um grupo altamente seleto de centros internacionais com acesso a esse tipo de infraestrutura avançada de pesquisa”, destaca Aline.

O pesquisador Giovanni Salum (penúltimo à direita) acompanhou parte do treinamento (Foto: Arquivo pessoal)

9 de junho 2026

Institucional CISM