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Pesquisa da Uerj mostra que isolamento causado pela pandemia teve efeitos na saúde física e mental de adolescentes

06/07/2021

A pandemia da Covid-19 teve efeitos na saúde física e mental dos adolescentes. Segundo uma pesquisa do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), 93% deles se sentem isolados.

Além do isolamento, com o distanciamento social, 86% não fazem atividade física e 58% passam mais de oito horas por dia de olho em uma tela. A pesquisa foi feita com 208 adolescentes.

Alguns momentos de lazer com os quais os adolescentes estavam acostumados desapareceram por mais de um ano e estão voltando aos poucos. Mas o distanciamento ainda causa efeitos nos irmãos Lucas e Thiago.

“Eles sofrem de um lado. Às vezes até choram de saudade dos amigos da escola. Não tem nada para fazer. Eles estão meio distantes, acabam ficando mais isolados”, afirmou a dona de casa Rosana Carneiro, mãe dos dois meninos.

A companhia acaba sendo a tecnologia por meio de dispositivos como tablets e videogames.

“Eles jogam, veem vídeos, veem séries, ouvem música. Só que é tudo ao mesmo tempo. A bateria do celular acabou, vão para a televisão. A televisão enjoou, vão para o computador. É bem complicado”, disse Rosana.

Ansiedade, tristeza e medo

Tudo isso reflete em distúrbios de sono e alimentação.

“Eles ficaram mais ansiosos, mais estressados. O Lucas tinha uma rotina de dormir às 22h30, 23h. Passou a dormir 1h30, depois 4h30 da madrugada. Aí eles trocam o dia pela noite”, afirmou.

Os dados do estudo do Hospital Pedro Ernesto confirmam esta impressão: 67% dos adolescentes entrevistados disseram que passaram a comer mais e pior.

“Eu sou ansiosa, muito ansiosa. Como eu não posso fazer alguma coisa para me distrair, eu acabo comente. Aí como uma coisinha aqui, uma coisinha ali”, disse a estudante Larissa Ferreira da Silva.

A adolescente perdeu a avó e uma tia para a Covid-19. Ela conta que não tinha com quem dividir esta dor.

“Eu me senti muito isolada. Eu já não tinha muitos amigos. Os que eu tinha acabaram se afastando por causa da pandemia. Então foi mais difícil do que eu imaginava que seria”, afirmou Larissa.

A médica coordenadora da pesquisa conta que os sintomas mais comuns relatados pelos adolescentes foram ansiedade, tristeza e medo. Os pais e responsáveis devem ficar atentos para que o isolamento não aconteça também dentro de casa.

“A primeira coisa é ter uma escuta cuidadosa, um diálogo aberto, estar atento às principais mudanças comportamentais dos filhos em casa. Acho que é muito importante os pais estarem atentos ao estilo de vida saudável destes adolescentes. Isso contribui para uma boa qualidade de vida e é um fator de proteção das doenças, principalmente sobrepeso, obesidade e as doenças cardiovasculares relacionadas. Encorajar, estimular bons hábitos de vida, é fundamental para que a gente consiga proteger e promover uma boa saúde para os nossos adolescentes”, afirmou a pesquisadora Cristiane Murad.

Leia na íntegra: g1.globo.com