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O negacionismo na saúde mental

11/01/2021

Não há sentido em destruir a estrutura existente, mas é preciso mudá-la

Jair de Jesus Mari
Médico psiquiatra, é professor titular e chefe do Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp)

Marcelo Feijó de Mello
Médico psiquiatra, é professor livre docente do Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da EPM-Unifesp

A assistência em saúde é dinâmica, deve se adaptar às mudanças do conhecimento e ser pautada nas necessidades da sociedade. A “reforma psiquiátrica” no Brasil teve um viés ideológico importante. A verdadeira reforma deve se dar no campo da reforma da assistência psiquiátrica, que no SUS é ineficaz e mal financiada, principalmente na saúde mental da infância e adolescência. A psiquiatria como disciplina pertencente ao campo da medicina está naturalmente em constante mudança, com base em sólido conhecimento científico. Não há sentido algum destruir a estrutura existente, mas não há dúvidas da necessidade de mudanças. Ninguém com um mínimo de bom senso pode ser a favor dos manicômios.

Contudo, não há nenhum sistema de saúde mental no mundo que possa prescindir de unidades para admissão de casos agudos. A internação, quando necessária, deve ser de curta duração, respeitando os direitos civis dos cidadãos. O que há de fato é uma confusão entre reforma psiquiátrica (que significa por alguns negar a própria disciplina e a existência do transtorno mental) com reforma da assistência psiquiátrica, que deve sim ser de base comunitária.

Leia na íntegra: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2020/12/o-negacionismo-na-saude-mental.shtml