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Ansiedade durante a pandemia da covid-19 cresce entre as crianças menores de 14 anos, mostra estudo

02/03/2021

O isolamento social causado pela pandemia da covid-19 tem sido complicado – para os pais, professores e, claro, para as crianças. Se os adultos já se sentem perdidos com o excesso de informação e medo, o peso para os pequenos, que não conseguem compreender tão bem o que está acontecendo no mundo, também é grande.

O estudo Born in Bradford revelou que a saúde mental dos mais jovens foi afetada com a nova rotina. Desde julho do ano passado, os menores de idade que passavam por crises de saúde mental e costumavam ser levados ao ponto-socorro duas vezes por semana, começaram a ir uma ou duas vezes por dia.

A pesquisa, que contou com a participação de 21 famílias com crianças entre 10 e 13 anos de idade, mostrou que a ansiedade neste período foi um problema sério entre o grupo. Os longos períodos de tédio, assim como o afastamento da escola e dos amigos também foram pontos importantes para piorar o sentimento de frustação.

Grande parte dos entrevistados se queixou da falta de rotina com o ensino à distância. Sem as aulas presenciais, os horários de estudo, sono, alimentação e até mesmo de entretenimento acabam se confundindo, o que prejudica a concentração, o aprendizado e muitas vezes causa maiores picos de irritação.

Por outro lado, as famílias reconheceram que estes meses em casa serviram para aproveitarem mais momentos juntos e criar uma relação ainda mais forte – algo essencial à saúde mental de todos.

É importante lembrar que este cenário tende a se repetir ao redor do mundo. No início do ano de 2021, uma pesquisa portuguesa realizada por pesquisadoras do Instituto de Apoio à Criança (IAC) mostrou que quase 10% das crianças revelaram índices de ansiedade acima do considerado funcional nos últimos meses, o que gerou problemas de sono, distúrbios alimentares e na quantidade de menores de 18 anos que passaram a tomar remédio para controlar problemas psicológicos.

A analista de comportamento e psicóloga Rafaela Teixeira, da Paraná Clínicas (PR), afirma que o papel dos pais neste momento é tentar explicar e entender o que a criança está sentindo afim de oferecer alternativas para que ela aprenda a lidar com os seus sentimentos de diferentes formas.

Além de procurar apoio de psicolólogos e psiquiatras para acompanhar o desenvolvimento da criança, os pais podem ajudá-la reservando um tempo durante o dia para conversar sobre sentimentos, medos e angústias. Dessa forma, os pequenos vão se sentir cada vez mais seguros para compartilhar problemas. Investir em atividades positivas, como assistir algum filme divertidos juntos, brincar com jogos de tabuleiros e aproveitar o tempo em família, também é uma ótima forma de cuidar da saúde mental deles.

Leia na íntegra: revistacrescer.globo.com