Os integrantes do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental estiveram envolvidos em diversas atividades ao longo dos três dias do evento
Quinze integrantes do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) marcaram presença na 9ª edição do “Congresso Clínica Psiquiátrica (CCP)”, realizado entre os dias 26 e 28 de março no Centro de Convenções Rebouças (CCR), na capital paulista. Os pesquisadores ministraram palestras, participaram de debates e de atividades especiais e estiveram à frente das cerimônias de premiação dos melhores trabalhos.
No primeiro dia do evento, cinco palestras contaram com a participação dos membros do CISM. O pesquisador Marcelo Brañas, bolsista de doutorado, abriu a sequência como conferencista de uma palestra sobre as novidades relacionadas ao tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline. O psiquiatra, que também atua como cocoordenador do Ambulatório para o Desenvolvimento dos Relacionamentos e das Emoções (ADRE), do Instituto de Psiquiatria (IPq), desenvolve pesquisas sobre a temática.
“Dias intensos de aprendizado no congresso. Agradeço à comissão organizadora pelo convite e a todos que fizeram esses três dias tão especiais”, comenta Brañas.
No mesmo dia, o Dr. Arthur Caye, gerente de pesquisa do CISM, psiquiatra da infância e adolescência e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), falou sobre a prescrição digital (receita eletrônica) no contexto do Prontuário Inteligente e Atendimento (PIA), serviço que permite a emissão, assinatura e envio de receitas médicas, atestados e laudos de forma eletrônica, sem uso do papel.
Em seguida, ocorreram as apresentações de dois integrantes da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais – Brazilian High Risk Cohort (BHRC): os psiquiatras Ana Beatriz Ravagnani e Pedro Mario Pan. Enquanto a primeira falou sobre marcadores preditivos de ansiedade e sintomas obsessivos-compulsivos ao longo das fases do desenvolvimento, o segundo tratou do monitoramento em tempo real do comportamento: deep digital e phenotype. Este campo emergente combina a análise detalhada e abrangente de anomalias fenotípicas com a quantificação momento a momento do fenótipo humano, utilizando dados de dispositivos digitais pessoais, como smartphones e outros acessórios.
O primeiro dia foi encerrado com a participação do diretor científico do CISM, o Professor Paulo Rossi Menezes, como conferencista de uma palestra sobre intervenções digitais em saúde mental. No Centro de Pesquisa, o Professor Paulo fica à frente de projetos que conectam ciência e tecnologia em intervenções inovadoras para a saúde mental: como os aplicativos CONEMO – voltado para sintomas de ansiedade e depressão – e o TRIS – direcionado ao manejo de contingências para o Transtorno por Uso de Álcool.
Segundo dia
Já na sexta-feira (27), outros quatro pesquisadores do CISM ministraram novas aulas no congresso. A psicóloga Maria Alice de Mathis, que atua no projeto “iTCC”, falou sobre a terapia de exposição na prática, com foco no tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e na ansiedade. Já a também psicóloga e professora da USP, Renatha El Rafihi-Ferreira, que participa do mesmo projeto que Maria Alice, abordou o tema das psicoterapias para a insônia – área de abordagem do projeto que participa no CISM.
Além de ministrar palestras no evento, o pesquisador Brañas e a professora Renatha também foram entrevistados pelo “ManoleCast”, o podcast da Manole Editora.
Assim como Maria Alice, no segundo dia do CCP, Marcelo Q. Hoexter falou sobre TOC, abordando casos de difícil tratamento. Além do CISM, ele também integra a equipe do Programa de Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo (PROTOC), do IPq.
As aulas de sexta-feira contaram, ainda, com a apresentação da pesquisadora Luísa Sugaya, que detalhou intervenções biológicas e psicológicas para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças na fase pré-escolar. A psiquiatra conduz pesquisas dentro desta temática, utilizando dados da BHRC.
Terceiro dia
No último dia do congresso, Arthur Caye e Maria Alice ministraram novas palestras. O Dr. Caye abordou um tema diferente de sua primeira participação: o tratamento do TDAH na criança e no adulto. Ao lado dele estava o também psiquiatra Dr. Guilherme Polanczyk. No CISM, Polanczyk assumiu recentemente um novo núcleo de pesquisa que irá transformar a saúde mental de crianças e adolescentes no país – saiba mais nesta matéria.
A palestra foi seguida por uma aula do coordenador do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental, o Professor Euripedes Constantino Miguel, que falou sobre abordagens baseadas em neurocircuitos para o tratamento do medo e da ansiedade.
Atividades especiais

Marcos Croci (primeiro à esquerda), Caio Petrus e Rodolfo Damiano (quarto e quinto à direita) participaram da atividade especial “Jovens Cientistas” (Foto: Divulgação/CCP)
Além de ministrar aulas, os pesquisadores também participaram de atividades especiais. O coordenador do eixo de recursos humanos, Dr. Jair de Jesus Mari, coordenou a sessão “Experts Experience”, enquanto o Dr. Hoexter conduziu a sala “Hot-topics”.
Nos dois últimos dias do evento, o Dr. Rodolfo Furlan Damiano e os doutorandos Caio Petrus e Marcos Croci estiveram à frente de atividades voltadas a “jovens cientistas”. Ambos conduzem pesquisas com dados da BHRC – o segundo é também cocoordenador do ADRE. Já o Dr. Damiano coordena, no CISM, o projeto SAVE Study – saiba mais.
Nas atividades, alunos de Iniciação Científica (IC) e de pós-graduação exibiram pôsteres sobre seus projetos de pesquisa. Supervisionada por Brañas, Isabela Amorim realizou pesquisa sobre subtipos comportamentais e perfis clínicos de autolesão não suicida em jovens. Já Luana Bicalho, orientada por Croci, conduziu trabalho sobre preditores longitudinais, trajetórias e mecanismos de autolesão e autolesão não suicida entre jovens. Ambos os estudos utilizaram dados da BHRC e contaram com a participação do aluno Gabriel Ângelo Ferreira Faria de Souza, que também esteve presente no evento.
Além de orientar Luana, o pesquisador Croci também foi o supervisor do trabalho de Paula Krein, residente do IPq. No congresso, a jovem fez uma apresentação oral do projeto “Transtornos de Personalidade e Aprendizado de Máquina: uma Revisão de Escopo”.

Luana, Gabriel e Isabela (ao centro) são alunos de IC orientados por pesquisadores do CISM e conduzem pesquisas com dados da BHRC (Foto: Divulgação/CCP)
Melhores trabalhos
No último dia do congresso, houve premiações para os melhores trabalhos científicos apresentados, bem como para projetos de estudantes de IC e pós-graduação.
O Professor Euripedes e o Dr. Damiano entregaram os certificados aos três primeiros colocados entre os trabalhos científicos: Artur Menegaz de Almeida, em primeiro lugar com “Terapia Luminosa no Transtorno Depressivo Não-Sazonal: Uma Revisão Sistemática e Meta-Análise”; Leonardo Restani Seda Pinto, em segundo com “Avaliando o impacto de práticas de pesquisa questionáveis e spin em ensaios clínicos de psicoterapia: protocolo e resultados preliminares”; e Joana Milan Lorandi, em terceiro lugar com “Terapias de Terceira Onda na Atenção Primária: uma Revisão Sistemática com Meta-Análise”.
A cerimônia foi conduzida por Petrus. “A submissão de trabalhos científicos, especialmente por alunos de graduação e pós-graduação, é parte fundamental da formação acadêmica. É nesse processo que o pesquisador se expõe à avaliação crítica, recebe contribuições qualificadas e aprimora tanto seu método quanto sua capacidade de construção científica. E é importante ressaltar que apenas estar entre os selecionados já representa um feito acadêmico de grande relevância”, destacou o psiquiatra na premiação.
A segunda cerimônia, voltada a reconhecer os melhores trabalhos de IC e pós-graduação, foi apresentada por Croci. Os vitoriosos foram a estudante de IC Stephanie Ogliari Brancher, bolsista do CISM orientada pelo Dr. Caye, com o projeto “A comorbidade psiquiátrica acompanha o estado do TDAH em cada fase do desenvolvimento”.

Professor Euripedes entrega o certificado de melhor trabalho de IC ao orientador Dr. Arthur Caye (Foto: Divulgação/CCP)
O vencedor do trabalho de pós-graduação foi o aluno Flávio Guimarães Fernandes, supervisionado pelo Professor Euripedes, com a pesquisa “Angústia Ética e Impacto Psicológico entre Residentes de Medicina durante a Pandemia de COVID-19 no Brasil”.
“Foi uma honra participar das sessões de jovens cientistas. Quando um aluno se inscreve para apresentar num congresso, ele se compromete com um prazo que o ajuda a organizar os dados, definir uma narrativa e antecipar perguntas”, explica Croci. “É nesse processo de preparação que ele, muitas vezes, percebe lacunas no próprio projeto e refina a sua pesquisa. Portanto, este espaço é fundamental para os pesquisadores do futuro”.
O CCP
O “Congresso Clínica Psiquiátrica (CCP)” propõe uma imersão na ciência e na experiência clínica. O evento, realizado a cada dois anos, conta com debates e apresentações de trabalhos; simulações realistas, com demonstrações de entrevista e manejo de casos complexos; aprendizado para acelerar o raciocínio clínico, aumentar a segurança e levar soluções para a prática; curadoria de excelência; e networking qualificado.
1 de abril de 2026
Institucional CISM


