Conclusão é resultado de uma revisão de oito ensaios clínicos incluindo 575 jovens; a pesquisa avaliou diferentes intervenções
Um novo estudo analisou a eficácia de diferentes medicamentos para crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e transtornos de tiques persistentes, incluindo a Síndrome de Tourette. A pesquisa apontou que uma classe específica de medicamentos – agonistas alfa-2 adrenérgicos – e estimulantes, combinados ou não, foram eficazes na redução dos sintomas.
Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise de rede, um tipo de estudo que reúne e compara os resultados de múltiplos ensaios clínicos já realizados, permitindo uma avaliação mais abrangente dos tratamentos disponíveis.
A revisão incluiu oito ensaios clínicos randomizados e duplo-cegos, nos quais os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos de tratamento (randomização) e nem eles nem os pesquisadores sabiam quem estava recebendo qual intervenção (duplo-cego). Esse tipo de metodologia reduz o risco de viés e torna os resultados mais confiáveis.
Os pesquisadores avaliaram as mudanças nos sintomas de TDAH, como desatenção e impulsividade, e na gravidade dos tiques, comparando as intervenções: o fármaco; o estimulante; e a combinação de ambos.
Os achados indicam que os agonistas alfa-2 adrenérgicos, uma classe de medicamentos que reduz a excitação do sistema nervoso central, foram eficazes tanto na melhora dos sintomas do TDAH quanto na redução da gravidade dos tiques. A combinação desses medicamentos com estimulantes também se mostrou eficaz, mas sem uma vantagem clara em relação ao uso dos primeiros isoladamente.
Já os estimulantes isolados, frequentemente usados para tratar o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, foram eficazes para os sintomas de desatenção e hiperatividade sem piorar os tiques – uma preocupação comum nesse tipo de tratamento.
Apesar dos achados importantes, os pesquisadores ressaltam que nenhum dos estudos analisados foi considerado isento de limitações metodológicas e que novos ensaios clínicos robustos podem ajudar a aprofundar o entendimento sobre a melhor abordagem terapêutica para essa população.
“Nosso objetivo foi comparar a eficácia das intervenções disponíveis para que médicos e famílias possam tomar decisões mais embasadas no tratamento desse diagnóstico complexo”, explica Pedro Macul Ferreira de Barros, psiquiatra formado pela Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do estudo.
A pesquisa tem como autor principal Luis Carlos Farhat, membro do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), e contou, ainda, com a participação de Guilherme Polanczyk, psiquiatra, professor e também pesquisador do CISM.
Artigo
As descobertas do estudo científico foram publicadas, em forma de artigo, no Journal of Child and Adolescent Psychopharmacology.
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11 de fevereiro de 2025
Institucional CISM