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Intervenção Cognitivo-Comportamental pela internet reduz sintomas de ansiedade e depressão em jovens no Brasil

Intervenção Cognitivo-Comportamental pela internet reduz sintomas de ansiedade e depressão em jovens no Brasil 1322 880 INPD Cism

Um estudo avaliou a eficácia de uma intervenção fornecida por meio de videoconferência a jovens brasileiros com sintomas emocionais moderados a graves

Um estudo científico avaliou a eficácia de uma intervenção de terapia cognitivo-comportamental (TCC) fornecida por meio de videoconferência a jovens com pontuações elevadas de sintomas emocionais. Os resultados demonstraram reduções significativas nos sintomas de ansiedade e depressão nos participantes da pesquisa.  

Foram avaliados os sintomas de  280 crianças e adolescentes, entre 8 e 17 anos, a partir da Escala Revisada de Ansiedade e Depressão Infantil (RCADS-25). As avaliações aconteceram em três momentos: antes do tratamento; ao término; e 30 dias após a finalização da intervenção.

Uma parte do grupo (intervenção) recebeu cinco sessões semanais da terapia via internet, conduzidas por videoconferência, com foco em habilidades de enfrentamento e regulação emocional. A outra parte (o chamado grupo “controle”) obteve apenas educação psicossocial, com materiais e orientações gerais sobre sintomas emocionais.  

Os achados do primeiro grupo revelaram que a terapia cognitivo-comportamental entregue pela internet foi eficaz para reduzir os sintomas emocionais dos jovens em comparação com os outros participantes que não receberam a terapia. Os relatos de ansiedade caíram em ambas as análises (ao término da intervenção e 30 dias depois). Já os sintomas de depressão, embora não tenham apresentado diferença no momento imediato após o tratamento, indicaram efeitos benéficos no seguimento após um mês.

“Os efeitos observados, ainda que de tamanho pequeno a moderado, sugerem que uma abordagem breve, estruturada e baseada em TCC pode produzir melhorias clinicamente relevantes em sintomas emocionais quando entregue remotamente”, aponta o médico psiquiatra e pesquisador Caio Borba Casella, condutor principal do estudo. 

Saúde mental digital e acessibilidade 

O estudo foi conduzido em um contexto de serviço de saúde mental que enfrenta limitações de acesso à psicoterapia presencial. Em países de baixa e média renda, como o Brasil, o acesso a tratamentos de psicoterapia eficazes ainda é limitado por infraestrutura, disponibilidade de profissionais e custos. O oferecimento de uma modalidade remota de intervenção pode favorecer a acessibilidade, reduzindo barreiras geográficas e logísticas que dificultam o acesso a tratamentos, especialmente em regiões mais vulneráveis.

“Embora abordagens presenciais permaneçam fundamentais, intervenções remotas e breves podem complementar a oferta de serviços, especialmente em contextos de recursos limitados”, pondera Casella em relação à solução digital.  

Os pesquisadores ainda destacam no estudo o potencial de escalabilidade de abordagens breves e padronizadas, como a TCC via internet, visto que podem ser mais facilmente disseminadas em larga escala. Eles ainda deixam, como sugestão, a integração a políticas públicas, na Atenção Primária dos serviços de saúde mental. 

O artigo 

Um artigo com os resultados da pesquisa científica foi publicado no periódico internacional Journal of Adolescent Health. Além de Casella, entre os autores são citados alguns integrantes do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) – Luis Carlos Farhat, Daniel Fatori, Giovanni Abrahão Salum e Guilherme V. Polanczyk. 

Gostou da pesquisa? Quer saber mais? Acesse o artigo completo clicando AQUI.

8 de janeiro de 2026 

Institucional CISM