Professora Lislaine Aparecida Fracolli, pesquisadora do CISM, falou sobre a importância desta fase para o desenvolvimento humano
A professora Lislaine Aparecida Fracolli, pesquisadora do programa “Primeiro Laços” e docente da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), ministrou uma palestra no Curso de Agentes Públicos para o Cuidado da Primeira Infância do Estado do Piauí, organizado pelo “Pacto pelas Crianças do Piauí”. O evento teve início no dia 8 de março e, ao longo de duas semanas, reuniu mais de 250 profissionais de 35 municípios.
A pesquisadora participou das atividades da segunda semana e realizou uma apresentação sobre a importância da primeira infância para o desenvolvimento humano, abordando o impacto da parentalidade para o desenvolvimento infantil. Na palestra, ela falou sobre o referencial do nurturing care como organizador da assistência que deve ser adotada nesta fase e como processo fundamental para a construção de uma sociedade melhor.
O nurturing care (ou cuidado atencioso/nutridor) é um modelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que define um ambiente seguro, saudável e estimulante para o desenvolvimento integral na primeira infância, desde a gestação. Foca em apoiar pais e cuidadores para garantir um cuidado integral, com saúde, nutrição, proteção e aprendizado.
“A importância de a gente poder aplicar todos os conhecimentos sobre vínculo mãe-criança, desenvolvimento infantil, engajamento da família e cuidados protetivos na primeira infância é porque ela é o que chamamos de ‘janela de oportunidades da vida inteira’”, detalhou a professora. “Falar de primeira infância é falar, sim, de construção de uma sociedade melhor”, acrescentou. Na palestra, a pesquisadora apresentou, ainda, o “Primeiros Laços” como exemplo de programa focado na parentalidade e na construção de vínculos entre mãe-criança.

Lislaine é professora da EEUSP e pesquisadora do CISM (Foto: Reprodução)
Gerenciado pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), o “Primeiros Laços” acompanha jovens em primeira gestação com o objetivo de fortalecer as competências parentais, o vínculo afetivo entre mãe e bebê e o cuidado com a saúde mental e emocional das mães adolescentes participantes, bem como promover o desenvolvimento físico e cognitivo de seus filhos. Mães e crianças são acompanhadas por enfermeiras durante os primeiros 1.000 dias de vida.
“Se a gente não aproveitar essa primeira fase para investir em melhorar a qualidade de vida, os vínculos e em construir uma vida mais saudável para nossas crianças, lá na frente, quando elas se tornarem adultas, não teremos mais tempo para correções, pois teremos perdido a ‘janela de oportunidades’ do desenvolvimento do cérebro”, chamou a atenção a pesquisadora na palestra, destacando a necessidade desses investimentos.
A formação
O Curso de Agentes Públicos para o Cuidado da Primeira Infância do Estado do Piauí promove construção coletiva e intersetorial , a partir da troca de aprendizados, com o objetivo de fortalecer redes entre as áreas da saúde, educação e assistência social para a adoção de políticas e práticas voltadas ao cuidado integral das crianças nos primeiros anos de vida.
O evento, realizado no campus São Raimundo Nonato do Instituto Federal do Piauí, conectou os territórios da Planície Litorânea e Serra da Capivara. Entre outros temas ligados à primeira infância, os palestrantes abordaram o desenvolvimento infantil, o cuidado integral, o papel dos agentes no território e a identificação dos sinais de alerta.
O “Primeiros Laços”
Gerenciado pelo CISM em parceria com o Centro Universitário Max Planck (UniMAX – Indaiatuba) e a Secretaria de Saúde de Indaiatuba, no interior de São Paulo, o “Primeiros Laços” oferece o acompanhamento de enfermeiras a mães adolescentes em primeira gestação.
Nas visitas domiciliares, que acontecem até os 2 anos de idade da criança, as enfermeiras orientam as participantes sobre a preparação para o parto e a rotina que terão com o filho após o nascimento, como parte das competências parentais. O acompanhamento ainda inclui apoio à saúde mental, emocional e física das mães e de seus bebês por todo este período.
Para ingressar no programa, gestantes residentes do município de Indaiatuba devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. É necessário estar na primeira gravidez, com até 20 semanas e ter de 14 a 24 anos.
As interessadas também podem contatar a equipe através do WhatsApp (19) 99568-8845 ou do e-mail primeiros.lacos.cism@gmail.com. O projeto possui, ainda, um perfil no Instagram com mais informações, acesse: @primeiroslacos_
5 de maio de 2026
Institucional CISM


