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Tem hora certa para deixar crianças entrarem nas redes sociais? Veja dicas para conexão mais saudável

15/12/2021

Com as redes sociais se tornando cada vez mais populares entre crianças e adolescentes jovens, acende-se o alerta entre os pais e responsáveis sobre os limites que devem ser impostos e os possíveis riscos que a internet oferece para os pequenos.

De acordo com Rosa Mariotto, psicanalista e doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento humano pela USP, não há uma idade específica que torne segura a entrada de uma criança nas redes, o que pode tornar a decisão mais difícil. “O que devemos levar em consideração é a capacidade de discernimento desses jovens em relação aos limites, em saber quais conteúdos podem ou não acessar”, afirma.

O problema, aponta a especialista, é que isso pode se tornar muito difícil, especialmente se o exemplo de bom senso não vem dos responsáveis. “Muitos pais não têm capacidade de perceber o efeito que isso pode vir a trazer para os jovens. A ideia de se algo não está postado, não existe, já é transmitida muito cedo para criança, que pode passar a pensar: ‘eu existo, mas com menor valor sem o espetáculo da exposição’.”

O mais importante ao permitir a entrada no universo digital, diz a psicóloga, é sempre uma espécie de acompanhamento do adulto. “Pode parecer clichê, mas sabemos o quanto os pequenos estão à deriva. Se os pais ou responsáveis acompanham minimamente o que essa criança está fazendo, isso já dá a ela, de certo modo, a ideia de que não está tão sozinha.”

Riscos à saúde mental

Além do risco de serem expostos a interações com desconhecidos e a conteúdos de violência, pornografia e outros assuntos não recomendados para aqueles que não são adultos, a saúde mental de crianças e jovens também pode ser afetada por se compararem com outras pessoas na internet.

“É possível que desenvolvam quadros de ansiedade, baixa autoestima e até depressão por buscarem, curtidas e visualizações incessantemente, além de estarem sempre acompanhando a vida glamurosa de outros jovens, que supostamente têm um estilo de vida perfeito”, diz Jaqueline Bifano, psiquiatra da infância e adolescência pelo Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Segundo Mariotto, já é possível observar muitos desses efeitos nos consultórios. “O sofrimento é causado pelas imagens que esses jovens veem e aspiram uma semelhança. Uma paciente minha, por exemplo, queria o cabelo igual a de uma influenciadora do TikTok. Quando não é possível obter esse modelo específico, o mundo dessas crianças e adolescentes cai.”

Dicas práticas para quem já está nas redes

Abaixo, as profissionais elencam boas práticas para os pais e responsáveis:

  • Restringir horários. Assim como tudo na vida tem rotina, rede social também precisa ter;
  • Ficar de olho em quem as crianças seguem, com quem elas conversam e o que postam;
  • Deixar claro no perfil que é administrado pelos pais;
  • Mantenha a curiosidade sobre o os assuntos que seu filho busca;
  • Proponha outras atividades;
  • Produza conteúdo em família – uma forma divertida de envolver os pais, que acaba se tornando uma atividade lúdica;
  • Avaliem, junto com a criança, se aquele tema é pertinente naquele momento do desenvolvimento;


Instagram já anunciou mudanças para público jovem

No dia 7 de dezembro, o Instagram anunciou uma série de novas práticas para seus usuários menores de idade. De acordo com a empresa, o aplicativo será mais rígido com os tipos de conteúdo que recomenda aos adolescentes e os transferirá para áreas diferentes se eles se concentrarem em um tópico por muito tempo. Ainda não sabemos quando as novas funções devem ser liberadas para os usuários brasileiros.

Leia na íntegra: yahoo.com