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Olimpíada: a prática de exercício é bem-vinda desde a primeira infância, mas é importante tomar alguns cuidados

30/07/2021

Há uma semana, o Brasil vibra assistindo aos Jogos Olímpicos de Tóquio e torce calorosamente cada vez que aparece a bandeira do país na telinha, numa competição da Olimpíada. Quando um nome conhecido nosso sobe ao pódio então… Uma das vitórias mais celebradas foi a de Rayssa Leal, a Fadinha, de apenas 13 anos, medalha de prata no skate, na categoria street feminino. Com a mesma idade, a japonesa Momiji Nishiya foi ouro na competição. Dois ótimos exemplos de que é de cedo que se começa a praticar esportes. Mas como escolher a atividade? E como fazer com que a criança curta aquilo e a rotina não vire um tormento? Para responder a essas e outras perguntas, conversamos com dois especialistas em saúde infantil.

Segundo o pediatra e professor da UFF André Ricardo Araújo da Silva, do grupo Prontobaby, geralmente não há restrição para a prática de esportes na infância. Mas ele alerta:

— O esporte na fase pré-escolar deve ser praticado pelas crianças com caráter mais lúdico e colaborativo. Auxilia no desenvolvimento do espírito de coletividade em detrimento das preferências individuais (em esportes coletivos) e na disciplina, na obediência a regras, contribuindo para o fortalecimento do caráter. Já atividades esportivas que demandam uso da força muscular, como halterofilismo por exemplo, devem ser evitadas até que o crescimento esquelético esteja maduro o suficiente para suportar carga.

A psicóloga Talitha Nobre, também do Grupo Prontobaby, analisa:

— A prática de esporte deve ser uma possibilidade de qualidade de vida. Ela é importante e traz conceitos fundamentais para a formação da criança: cidadania, trabalho em equipe… Mas, quando existe o imperativo da vitória, pode gerar frustração. Se a gente parar para pensar, não só no esporte, mas na educação de uma maneira geral, a nossa cultura nos ensina desde pequenos que não basta ser bom, a gente tem que ser o melhor. Isso, desde cedo, vai criando na criança uma ideia de competitividade muito grande, de que não pode perder, de que tem que ganhar, e a gente tem uma tolerância pequena para perder. Os pais, os primeiros incentivadores, precisam sempre dialogar com a criança. É importante saber como ela encara aquilo: é um desejo dela praticar aquela atividade ou dos pais? Porque às vezes a criança vive o desejo dos pais, que se realizam ali, e não o dela.

Leia na íntegra: extra.globo.com