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Crise de saúde mental infantil é ampliada pela COVID-19, alerta secretário-geral

03/07/2021

Metade das crianças do mundo vivenciam violência online e offline de alguma forma todos os anos, com “consequências devastadoras e para toda a vida” para sua saúde mental, alertou o secretário-geral da ONU em para um evento do Fórum Político de Alto Nível (HLPF) sobre saúde mental e bem-estar, na quinta-feira (8).

Em um discurso em vídeo, António Guterres disse que os serviços de saúde mental sofrem com a negligência e o subinvestimento há muito tempo, com “muito poucas crianças” acessando o serviços de que precisam.

Corte de serviços – Segundo Guterres, a pandemia da COVID-19 ampliou o problema. Com milhões de crianças estão fora da escola, aumentando sua vulnerabilidade à violência e ao estresse mental, enquanto os serviços foram cortados ou transferidos para versões online.

“Uma vez que consideramos investir numa forte recuperação, o apoio ao bem-estar mental das crianças deve ser uma prioridade”, afirmou o secretário-geral.

O chefe da ONU instou governos a adotar uma abordagem preventiva, tratando os determinantes do bem-estar mental por meio de proteção social robusta para crianças e famílias.

Guterres lembrou que saúde mental e apoio psicossocial, juntamente com abordagens baseadas na comunidade para os cuidados, são parte integrante da cobertura universal de saúde. “Eles não podem ser a parte esquecida”, ressaltou.

A visão da criança é crucial – O secretário-geral também instou as autoridades em todos os lugares a levar em consideração as opiniões e experiências vividas das próprias crianças, expostas a ameaças crescentes online e offline, ao formular políticas e estratégias de proteção.

“As crianças desempenham um papel importante no apoio ao bem-estar mental umas das outras. Elas devem ser capacitadas como parte da solução. Vamos trabalhar juntos por sociedades sustentáveis, centradas nas pessoas e resilientes, onde todas as crianças vivam sem violência e com os mais elevados padrões de saúde mental”, concluiu o chefe da ONU.

Crianças contribuem – A reunião organizada em conjunto com a Missão Permanente da Bélgica nas Nações Unidas e o Grupo de Amigos sobre saúde mental e bem-estar apresentou um vídeo com contribuições de crianças de 19 países que agiram para se apoiarem mutuamente.

A representante especial da ONU sobre Violência contra Crianças, Maalla M’jid, destacou o impacto devastador da violência na saúde mental das crianças: “A exposição à violência e outras experiências adversas na infância podem evocar respostas tóxicas ao estresse que causam efeitos fisiológicos imediatos de longo prazo e danos psicológicos”.

“Além do custo humano, o custo econômico da doença mental é significativo”, acrescentou.

Oportunidade por mudança – A fase de recuperação da pandemia é uma oportunidade para os países investirem neste campo, disse M’jid, destacando que “não podemos voltar ao normal”. Porque o que era normal antes da pandemia não era bom o suficiente, com os países gastando em média apenas 2% de seus orçamentos de saúde em saúde mental.

“Além de mais investimentos, precisamos mudar nossa abordagem em relação à saúde mental. Com base nas lições da pandemia, os serviços de saúde mental e proteção infantil devem ser reconhecidos como salvadores e essenciais”, afirmou a representante.

Para a especialista da ONU, esses serviços devem ser incorporados tanto à preparação para emergências quanto ao planejamento de longo prazo. Além disso, as crianças também devem moldar o desenho, a entrega e a avaliação das respostas.

O encontro contribuiu para aumentar a conscientização sobre o impacto da violência na saúde mental das crianças, tanto antes como durante a pandemia da COVID-19.

Foram compartilhados exemplos de abordagens eficazes para apoiar a saúde mental das crianças de diferentes regiões e em diferentes ambientes; para identificar quais etapas são necessárias para incorporar as melhores práticas de saúde mental; colocar os serviços de proteção infantil e social em ação para reconstruir melhor após a pandemia, ao mesmo tempo em que se apoia a Década de Ação para cumprir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável até 2030.

Leia na íntegra: brasil.un.org