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Alcances e limites do Programa de Intervenção do “Primeiros Laços”

16/04/2020

  Frente à Pandemia de COVID 19, o universo da pesquisa também vem passando por inúmeras transformações e dentro do INPD  (Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento) o Programa de Intervenção dos Primeiros Laços precisou reestruturar a base de seu trabalho: as visitas domiciliares realizadas pelas enfermeiras precisaram ser revistas e passaram a ser realizadas virtualmente.
A mudança traz implicações para a pesquisa como um todo. Como avaliar a qualidade das visitas que não apenas seguem um protocolo, mas também avalia dados sensíveis da interação presencial? E ainda, como garantir que as pesquisas virtuais possam chegar à família que vivem em situações de extrema pobreza e, obviamente, não têm celular e plano de internet? Para além das mudanças significativas do contexto que estamos vivendo, precisamos nos deparar com a burocracia que as fundações e agências de fomento exigem para qualquer mudança da rota da nossa tão cara pesquisa. Certamente, não é uma tarefa fácil.
A coordenadora da Intervenção dos Primeiros Laços, Profa. Dra Anna Chiesa, enfermeira e membro do INPD, em conjunto com  sua equipe de enfermeiras, psicólogas e fonoaudiologas optou por otimizar os esforços para que todas as famílias que recebem a intervenção não ficassem desassistidas durante a Pandemia. Desta forma, as famílias participantes do grupo Intervenção começaram a ser acompanhadas remotamente, através de sessões por telefone ou vídeo. O protocolo das visitas deverá ser usado como de costume  para orientar o tema da visita, assim como o registo de dados no sistema. E tanto as supervisões com a equipe passarão a ocorrer semanalmente via plataforma de webconferência.
Claro que os desafios de manter a atenção destas jovens mães via remota se apresentam: é preciso que essas mães mantenham a atenção não só na enfermeira visitadora, mas também no bebê e, estes, em alguns momentos, serão requisitados para estar em frente à câmera para avaliação dos sinais de desenvolvimento. Para tal, precisaremos construir junto com estas mães estratégias lúdicas para mantermos o bebê atento à câmera.
Além do acompanhamento da díade mãe-bebê, as enfermeiras auxiliam as famílias em outras dimensões, como na busca de benefícios do governo e instrumentalizam  essas famílias a realizarem cuidados das mais diversas ordens, desde um mal-estar físico como a busca de redes sociais em seu entorno. Sabemos que essa configuração apresentará limitações, no entanto, preferimos apostar no cuidado desse grupo vulnerável num momento de incertezas. Assim, todos saem beneficiados, as famílias continuam sendo assistidas e nossa pesquisa evita que famílias abandonem o programa.
Veja o PDF da apresentação: Primeiros Laços x COVID-19