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A importância da atividade física para o desenvolvimento físico e neurológico das crianças

04/06/2021

Com o avanço da tecnologia, tablets e smartphones se tornaram cada vez mais presentes no dia a dia das crianças e adolescentes. Devido a este contato, muitas vezes constante e em quantidade excessiva, as crianças têm deixado de fazer coisas que no passado eram mais corriqueiras, como brincar, dançar e praticar esportes.

Então, a grande pergunta é: como motivar as crianças a praticarem atividade física nos dias de hoje? Sem dúvida, este é um desafio que todos vivemos atualmente (e não vale só para as crianças!).

Vale a pena encarar o desafio e buscar uma resposta para esta indagação que tira o sono de tantos pais. Afinal, a atividade física tem um papel fundamental no desenvolvimento físico e neurológico das crianças. Quando ela é realizada de forma adequada, respeitando os limites da criança, colabora no desenvolvimento do equilíbrio, coordenação motora e habilidades físicas, tornando possível que o desenvolvimento cognitivo também ocorra da maneira correta.

Foco na brincadeira, não na performance.

Segundo Jamil Soni, ortopedista pediátrico cooperado da Unimed Curitiba, o papel da atividade física no início da infância deve ter um caráter lúdico e recreativo. – A atividade, e aqui vale dança, ginástica e outras atividades que não sejam necessariamente esportivas, não deve ser exercida buscando rendimento ou performance, mas sim que a criança consiga estimular todas suas habilidades – correr, pular, saltar – e desenvolver a parte física como um todo – afirma.

O ideal são atividades que, no início, trabalhem o desenvolvimento sensorial, cognitivo e físico de forma completa. Além disso, ela não deve exercer nenhuma sobrecarga sobre as articulações, ossos e a parte muscular da criança. Por este motivo, o ortopedista não recomenda atividades que tenham impacto exagerado, como musculação e crossfit, por exemplo, para crianças menores de 14 anos.

Que tipos de atividade são recomendadas?

A partir dos 3 anos, a criança pode praticar uma atividade física de 30 a 40 minutos, de 2 a 3 vezes por semana. – O ideal é não ultrapassar esta frequência, porque a criança, nesta faixa etária, precisa ter tempo para brincar em casa e conviver com os amigos – diz o médico.

Entre as atividades mais comuns estão a natação, o judô e a dança, que trabalham o corpo como um todo, e isto acaba induzindo a um melhor desenvolvimento das crianças.

Atividade sem pressão

Muitas famílias podem ter a ideia de que, quanto mais cedo o filho começar, por exemplo, a jogar futebol, maior a chance de ele vai ser um grande jogador. O ortopedista reforça que este tipo de comportamento pode trazer uma sobrecarga física e até emocional para a criança, e por isso este ponto deve ser observado com muita atenção.

Assim, as atividades de alto rendimento só devem ser realizadas após os 9 anos. Além disso, é fundamental que treinadores e família compreendam esta etapa de formação do pequeno atleta como uma fase temporária.

– Se as frustrações, como a derrota e o mau desempenho, não forem bem manejadas, elas podem evoluir para uma sequela psicológica pelo resto da vida, como quadro depressivo, ansiedade ou baixa autoestima.

E, claro, é sempre bom lembrar que bons hábitos nunca são demais. Alimentação saudável e nutritiva, hidratação adequada e acompanhamento de um ortopedista pediátrico em caso de dor podem fazer toda a diferença para a criança ter prazer em sua atividade e, assim, se desenvolver com saúde e alegria.

Leia na íntegra: globoesporte.globo.com