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5 razões porque as redes sociais não são brincadeira de criança

05/02/2021

Se você já foi adolescente, sabe que é um período conturbado. A adolescência é uma fase de mudanças cerebrais e sociais que aumentam a vulnerabilidade para o desenvolvimento de patologias como depressão e ansiedade. Segundo relatório do Ministério da Saúde publicado em 2018, 60% dos adolescentes que passaram em consulta médica relataram sintomas depressivos.

A saúde mental, ou a ausência dela, é resultado de um processo multifatorial. É impossível apontar um único vilão. Porém, é fato que os números pioraram expressivamente a partir de 2009 e 2010, quando as redes sociais se tornaram populares entre as crianças e adolescentes.

Twenge estuda dados sobre o comportamento de adolescentes americanos desde a década de 70. Ela alerta que meninas usam redes sociais mais do que meninos, e são mais vulneráveis a seus malefícios. Este é um dos motivos que a pesquisadora aponta para o fato de que triplicaram as internações por automutilação entre meninas de 10 a 14 anos no período de 2009 a 2015. A depressão aumentou em 60% na faixa etária de 12 a 19 anos entre 2009 e 2017.

Segundo pesquisa da CETIC.br, no Brasil 82% das crianças e adolescentes utilizam as redes sociais, aproximadamente 22 milhões de crianças entre 9 e 17 anos. Nos Estados Unidos, 90% dos adolescentes entre 13 e 17 tem perfis nas redes. Um mercado multimilionário.

A questão é que a regulação governamental e responsabilidade social das empresas anda bem atrás da ciência. A indústria de tabaco é um caso clássico – o movimento regulatório começou muitas décadas depois dos malefícios do cigarro estarem comprovados. Falando sobre os efeitos das redes sociais, Sean Parker, primeiro presidente do Facebook, desabafou “sabe Deus o que isso está causando nos cérebros das nossas crianças”. A ciência começa a desvendar os prejuízos. Conheça 5 deles.

  1. Redes tornam adolescentes mais influenciáveis.
    Adolescentes estão se preparando para a vida independente, então construir laços para além da família é fundamental nesta fase. É natural que a aprovação e feedback do grupo influenciem os comportamentos do adolescente. No entanto, antes das redes sociais, precisávamos sair de casa para encontrar a aprovação ou reprovação dos amigos. Existia um tempo de reflexão individual. Hoje, os adolescentes recebem estes sinais o tempo todo. Outro fator importante é que na comunicação offline você precisa refletir sobre o que os outros estão pensando. Nas redes, isso não é necessário – o número de likes e seguidores deixa claro o que é desejável. Quando batem o olho em uma foto ou um perfil, os adolescentes já sabem o que devem fazer ou quem devem ser para serem populares. Um estudo feito na Universidade da Califórnia, identificou que quando os adolescentes viam fotos com muitos likes, áreas do cérebro relacionadas à memória, imitação e reforço de comportamento ficavam mais ativas. Quando as fotos com muitos likes envolviam comportamentos como fumar maconha ou beber, havia uma redução de atividade na área cerebral relacionada ao controle de impulsos. Acrescente a isso o fato de que adolescentes ainda não tem um autoconceito e identidade formados. Ou seja, temos a receita certa para que eles se tornem mais influenciáveis e manipuláveis.
  2. As redes provocam o vício
    Sean Parker, o primeiro presidente do Facebook, declarou que a ferramenta foi desenhada para explorar a vulnerabilidade psicológica humana, já que em cada like ou interação positiva, nosso cérebro produz dopamina, um hormônio relacionado ao prazer que é altamente viciante. A dopamina está envolvida no vício em redes sociais, e diversos outros vícios como drogas e jogos. Um outro fator fundamental para o vício é a velocidade em que os usuários recebem o reforço. Quanto mais rápido vem o reforço, mais viciante é o comportamento. No caso das redes, likes são comunicados em tempo real, a todo momento, nos bolsos dos nossos filhos. É claro que todos nós podemos nos viciar nas redes sociais, mas as crianças e adolescentes são muito mais vulneráveis. Primeiro porque o cérebro deles ainda está em formação. Segundo, porque nesta fase a aprovação social é naturalmente sobrevalorizada.
  3. Prejudica a autoimagem
    Uma das principais tarefas da adolescência é a construção da identidade. Adolescentes são autocentrados porque estão obcecados em descobrir quem são. E para descobrirmos quem somos, olhamos em volta. Comparamos nós mesmos com as outras pessoas para descobrirmos similaridades e diferenças. O problema é que nas redes, o adolescente compara a vida e imagem que tem, com fragmentos das vidas de outras pessoas, propositalmente editados para impressionar. Antes das redes, falava-se que as modelos magérrimas das revistas contribuíam para a baixa autoestima e problemas alimentares entre jovens. Hoje, são os próprios amigos quem postam essas imagens perfeitas e editadas. Quando os adolescentes criam uma imagem alterada por filtros, edições e recortes, e recebem a aprovação dos pares, eles se sentem motivados a repetir esse comportamento. O problema é que quando a imagem que eles apresentam nas redes não condiz com quem eles veem no espelho, fica mais difícil gostarem de quem são de fato. Por outro lado, se eles recebem silêncio, cancelamento e comentários maldosos, eles se sentem inferiores e aprendem que precisam ser ou pensar diferente. Eles se tornam mais inseguros e propensos a construírem imagens falsas de si mesmo.
  4. Aumenta sentimentos de solidão
    Sherry Turkle, psicóloga social e professora no Massachusetts Institute of Technology, reviu estudos envolvendo 300 crianças e 150 adultos em seu livro Alone Together. Ela constatou que pessoas que dedicam muito tempo para a conexão online, se sentem mais solitárias e isoladas, estão mais desconectadas emocionalmente, mais ansiosas e mentalmente estafadas. O tempo excessivo nas redes sociais reduz o tempo disponível para experiências reais. Algumas pessoas usam as redes para manterem atualizadas as amizades verdadeiras. No entanto, cada vez mais as pessoas seguem outras que não conhecem, e de quem não são próximas. Amizades virtuais podem gerar uma ilusão de companheirismo, mas o fato é que elas não envolvem o senso de compromisso que existe nas amizades reais. Grupos e amizades virtuais não satisfazem nossa necessidade de pertencimento. Quando a criança está em um dispositivo, ela está de fato sozinha. Além disso, acompanhar a vida dos amigos em tempo real também significa se deparar com fotos de programas para os quais o adolescente não foi convidado, ou momentos em que todos estão se divertindo, menos ele.
  5. Aumenta o risco de bullying e exclusão, principalmente entre meninas
    Pesquisas mostram que meninos tendem a exibir a agressividade fisicamente enquanto as meninas o fazem socialmente. Elas agridem as rivais procurando prejudicar seus relacionamentos, status e reputação, por exemplo usando as redes para se certificarem que as rivais saibam que foram excluídas, ou para fazer comentários maldosos, mesmo que anonimamente. Jonathan Haidt, psicólogo social e pesquisador que tem escrito bastante sobre a questão das redes afirma que “a mídia social é o maior facilitador da agressão social desde a invenção da linguagem, e as evidências disponíveis hoje sugerem que a saúde mental das meninas sofreu como resultado”.

Leia na íntegra: https://saopauloparacriancas.com.br/5-razoes-redes-socias-nao-sao-para-criancas/